Introdução a Finanças Descentralizadas

Nas últimas décadas o sistema financeiro mundial tem se demonstrado bastante sensível, passamos por crises importantes que afetaram o mundo inteiro, colocando muitos países em situações econômicas críticas. Fatos que trouxeram à tona a fragilidade do sistema econômico tradicional e que impulsionaram discussões sobre os problemas e riscos desse modelo.

O incômodo com o sistema econômico tradicional influenciou o surgimento de uma nova proposta econômica, que vem cada vez mais ganhando notoriedade, o conceito de DeFI – Finanças Descentralizadas, que aprofundaremos mais adiante.

Antes disso é preciso deixar claro quais são os problemas do modelo atual que serão solucionados com a adoção de um modelo financeiro descentralizado.  O primeiro da lista, é que o acesso a uma conta bancária e aos demais serviços bancários não são garantidos para qualquer pessoa, e a falta de acesso a esses serviços muitas vezes impede o indivíduo de se desenvolver economicamente, por não conseguir se empregar por falta de uma conta bancária. Pode ocorrer também dos serviços financeiros impedirem que você receba seu pagamento ou dificulte simples transações como pagamento de uma conta a qualquer horário, por falhas ou limitações de processos. 

Além disso, ficamos à mercê da dinâmica bancária, desde questões como horários restritos para execução de serviços e atendimento (horário comercial), à demora da execução das transações por dependerem de processos internos manuais e, cobrança de taxas bancárias pelos serviços prestados ( o que encarece o custo da transação). Outra vantagem que o banco tem sobre nós é a retenção de informações pessoais que nos coloca em uma situação vulnerável diante dessa relação. A vulnerabilidade também se dá, pois, as instituições centralizadas, bancárias e governos podem influenciar o mercado conforme seus interesses e até mesmo colocá-los em risco.

Em resumo,  somos dependentes dos bancos para movimentar o nosso próprio dinheiro, tendo que confiar que as instituições bancárias não façam má administração do dinheiro confiado a elas, que não emprestam esse dinheiro a mau pagadores, por exemplo. Portanto, quando confiamos o nosso dinheiro a uma instituição bancária não temos acesso ao livro razão, que demonstra quais estratégias eles o usam para arbitrar o seu negócio, não temos conhecimento da rastreabilidade do nosso dinheiro a eles confiado.

Por todas essas razões DeFI – Finanças Descentralizadas vem conquistando mais espaço, é um modelo que tende a ser democrático que possibilita acesso a serviços financeiros a qualquer pessoa no mundo. DeFI é uma iniciativa global que propõe uma alternativa ao sistema financeiro tradicional, oferecendo produtos financeiros que permite que o indivíduo peça emprestado, invista, economize e troque entre outros serviços. Essa nova dinâmica é possível uma vez que esse modelo é totalmente  baseado em tecnologia open-source ( código aberto) no qual qualquer pessoa pode programar (consultar, ficalizar e contribuir).

Os serviços de DeFI são fornecidos em Blockchains públicas, ou seja, em tecnologia de rede aberta,  que tem por princípio a eliminação de intermediários e de barreiras ao acesso, que se estendem às aplicações de DeFI.  A ideia é que como sociedade superemos as limitações geográficas, tecnológicas, governamentais ,de gênero, educação e outros e democratize a todos os serviços financeiros, sem  haver a necessidade de permissões para abrir contas em bancos , fazer empréstimos , depositar fundos e negociar produtos financeiros complexos.  

Obviamente para que se possa usar aplicações de DeFI é preciso estar conectado a uma rede Blockchain. A primeira rede que expandiu a usabilidade da rede para além das transações simples de armazenar e enviar valor ( como a proposta na Blockchain do Bitcoin) foi a Ethereum que  permitiu a execução de transações mais complexas, usando “contratos inteligentes”. Um “contrato inteligente” é um programa executado na rede blockchain, é uma coleção de código e dados que está alocado em uma endereço específico na rede. Funciona como uma conta que possui saldo e pode enviar transações ou executar uma função definida através da rede, desde que as regras estabelecidas neste “contrato inteligente” sejam cumpridas.  Importante ressaltar que “contratos inteligentes” não podem ser excluídos da rede e as interações nele contidas são irreversíveis. 

Com os “contratos inteligentes” é possível criar uma alternativa descentralizada para a maioria dos serviços descentralizados, a seguir as aplicações mais populares de DeFI:

  • Trocas descentralizadas (DEXs): é possível realizar trocas/envio de dinheiro a qualquer pessoa no mundo, desde que esteja em rede, sem tem que confiar seu dinheiro a um intermediário.
  • Stablecoins: uma criptomoeda lastreada a uma moeda do sistema financeiro tradicional, que tem seu preço estável e que funciona para enviar dinheiro ou pagar a alguém um serviço/produto sem sofrer com as instabilidades do mercado. Um exemplo de criptomoeda é a DAI, uma stablecoin lastreada ao Dollar.
  • Plataformas de empréstimos: oferece uma alternativa descentralizada para tomar empréstimos e/ou conceder empréstimos  através de  “contratos inteligentes” sem intermediários como instituições financeiras. Sendo possível uma transação direta entre o tomador e o credor. Outra possibilidade é criar um pool onde os credores fornecem fundos (liquidez) a quem precisa de empréstimo.  As plataformas mais conhecidas que atuam nessa frente são Aave, Compound, Oasis para empréstimos diretos e Uniswap, Pancake, Matcha, 1inch para criação de pool de liquidez.
  • WBTC (Bitcoin “embrulhados”): uma forma de envio de bitcoin a rede Ethereum para que ele seja usado diretamente na rede DeFI da Ethereum, permitindo que os usuários lucrem com juros do empréstimos de bitcoin realizados por plataformas descentralizadas de empréstimos.
  • Mercado de apostas: funciona exatamente como o mercado de apostas no qual é possível  apostar em um resultado futuro, porém sem intermediários.

Portanto, o DeFI vem abrindo novas possibilidades de fazer com que produtos financeiros sejam facilitados e democráticos, sem a necessidade de  terceiros. Permitindo que os problemas do modelo tradicional sejam solucionados e a condução da economia mundial tome novos rumos se tornando mais inclusiva, barata,  transparente, ágil, descentralizada e segura.  

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Referências

Consensys. Blockchain for Decentralized Finance (DeFi). Disponível em: https://consensys.net/blockchain-use-cases/decentralized-finance/

CoinDesk. What Is DeFi? Disponível em: https://www.coindesk.com/learn/what-is-defi/

Decentralized finance (DeFi). Diponível em: https://ethereum.org/en/defi/

Liqi Digital Assets. DeFi: conheça tudo sobre o processo de finanças descentralizadas! Disponível em: https://blog.liqi.com.br/defi/

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