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Introdução a Finanças Descentralizadas

Introdução a Finanças Descentralizadas

Nas últimas décadas o sistema financeiro mundial tem se mostrado bastante sensível. Passamos por crises importantes que afetaram o mundo inteiro, colocando muitos países em situações econômicas críticas. 

Esses fatos trouxeram à tona a fragilidade do sistema econômico tradicional que impulsionou discussões sobre os problemas e riscos desse modelo.

O incômodo com o sistema econômico tradicional influenciou o surgimento de uma nova proposta econômica, que vem ganhando cada vez mais popularidade: o conceito de DeFi (Finanças Descentralizadas). 

Antes de falar sobre isso, é importante deixar claro quais são os problemas do modelo atual que serão solucionados com o modelo financeiro descentralizado:  

  1. O acesso a uma conta e aos demais serviços bancários que não são garantidos para qualquer pessoa. 
  2. A falta de acesso a esses serviços que impedem o indivíduo de se desenvolver economicamente, como não conseguir se empregar por exemplo.

Também pode ocorrer dos serviços financeiros impedirem que você receba seu salário, ou dificulte uma simples transação como, por exemplo, o pagamento de uma conta em qualquer horário, por falhas ou limitações de processos. 

Além disso, ficamos dependentes da dinâmica bancária, como horários restritos para execução de serviços e atendimento (horário comercial), demora na execução das transações por dependerem de processos internos manuais e cobrança de taxas bancárias pelos serviços prestados (alto custo de transação).

O banco também pode reter informações pessoais e nos colocar em uma situação de vulnerabilidade diante dessa relação. Essa vulnerabilidade também se dá, pois, as instituições centralizadas, bancárias e governos podem influenciar o mercado conforme seus interesses e até mesmo colocá-los em risco.

Em resumo, somos obrigados a depender dos bancos para movimentar o nosso próprio dinheiro, com a confiança de que as instituições bancárias não façam uma má administração do dinheiro que foi confiado a elas. Como por exemplo, emprestar o dinheiro a mau pagadores.

Quando confiamos o nosso dinheiro a uma instituição bancária, não temos acesso ao livro razão que demonstra quais estratégias eles usam para decidir o seu negócio, resultando na falta de conhecimento da rastreabilidade desse dinheiro.

Por todas essas razões, o DeFi vem conquistando mais espaço, pois, é um modelo que tende a ser democrático e possibilita qualquer pessoa no mundo a ter acesso aos serviços financeiros.

DeFi é uma iniciativa global que propõe uma alternativa ao sistema financeiro tradicional, oferecendo produtos financeiros que permitem que o indivíduo peça emprestado, invista, economize e troque uma moeda por outra, entre outros serviços. Essa nova dinâmica se torna possível, uma vez que esse modelo é totalmente baseado em tecnologia open-source (código aberto), na qual qualquer pessoa pode programar (consultar, fiscalizar e contribuir).

Os serviços de DeFi são fornecidos em blockchains públicas, ou seja, em tecnologia de rede aberta, que tem por princípio a eliminação de intermediários e de barreiras ao acesso, que se estendem às aplicações de DeFi.  A ideia é que como sociedade superemos as limitações geográficas, tecnológicas, governamentais, de gênero, educação e outros, e democratize a todos os serviços financeiros, sem ter a necessidade de permissões para abrir contas em bancos, fazer empréstimos, depositar fundos e negociar produtos financeiros complexos.  

É importante saber que, para que seja possível usar aplicações de DeFi é preciso estar conectado a uma rede blockchain.
A primeira rede que expandiu a usabilidade para além das transações simples como armazenar e enviar valor (conforme a proposta na Blockchain do Bitcoin) foi a Ethereum que  permitiu a execução de transações mais complexas, usando “contratos inteligentes”

Contrato inteligente é um programa executado na rede blockchain, uma coleção de código e dados que está alocado em um endereço específico na rede. Funciona como uma conta que possui saldo e pode enviar transações ou executar uma função definida através da rede, desde que as regras estabelecidas neste contrato sejam cumpridas.  

É importante ressaltar que “contratos inteligentes” não podem ser excluídos da rede, pois, as interações nele contidas são irreversíveis. 

É possível criar uma alternativa para a maioria dos serviços descentralizados. A seguir, as aplicações mais populares de DeFI:

  • Trocas descentralizadas (DEXs): é possível realizar trocas/envio de dinheiro para qualquer pessoa no mundo, desde que esteja em rede, sem ter que confiar seu dinheiro a um intermediário.
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  • Stablecoins: uma criptomoeda lastreada a uma moeda do sistema financeiro tradicional, que tem seu preço estável e que funciona para enviar dinheiro ou pagar a alguém um serviço/produto sem sofrer com as instabilidades do mercado. Um exemplo de criptomoeda é a DAI, uma stablecoin lastreada ao dólar.
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  • Plataformas de empréstimos: oferece uma alternativa descentralizada para tomar empréstimos e/ou conceder empréstimos  através de  “contratos inteligentes” sem intermediários como instituições financeiras. Sendo possível uma transação direta entre o tomador e o credor. Outra possibilidade é criar um pool onde os credores fornecem fundos (liquidez) a quem precisa de empréstimo.  
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  • As plataformas mais conhecidas que atuam nessa frente são Aave, Compound, Oasis para empréstimos diretos e Uniswap, Pancake, Matcha, 1inch para criação de pool de liquidez.
  • WBTC (Bitcoin “embrulhados”): uma forma de envio de bitcoin para que ele seja usado diretamente na rede DeFi da Ethereum, permitindo que os usuários lucrem com juros dos empréstimos de bitcoin realizados por plataformas descentralizadas de empréstimos.
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  • Mercado de apostas: funciona exatamente como o mercado de apostas no qual é possível  apostar em um resultado futuro, porém, sem intermediários.

Portanto, o DeFi vem abrindo novas possibilidades de fazer com que produtos financeiros sejam facilitados e democráticos, sem a necessidade de terceiros. 

Permitindo que os problemas do modelo tradicional sejam solucionados e a condução da economia mundial tome novos rumos se tornando mais inclusiva, barata, transparente, ágil, descentralizada e segura.  

Quer saber mais sobre DeFi- Finanças descentralizadas e tokenização, acompanhem os cursos da goEducation e artigos.

 

 

Referências

Consensys. Blockchain for Decentralized Finance (DeFi). Disponível em: https://consensys.net/blockchain-use-cases/decentralized-finance/

CoinDesk. What Is DeFi? Disponível em: https://www.coindesk.com/learn/what-is-defi/

Decentralized finance (DeFi). Diponível em: https://ethereum.org/en/defi/

Liqi Digital Assets. DeFi: conheça tudo sobre o processo de finanças descentralizadas! Disponível em: https://blog.liqi.com.br/defi/

Aviso Legal: Esta postagem é apenas para fins educacionais. Não constitui um conselho de investimento ou uma recomendação ou solicitação para comprar ou vender qualquer investimento e não deve ser usado na avaliação do mérito da tomada de qualquer decisão de investimento. Não deve ser invocado para aconselhamento contábil, jurídico ou tributário ou recomendações de investimento.

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